Comércio reúne com a «troika»

 

A CCP, Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, a cuja Direcção a APCMC pertence, juntamente com as demais confederações empresariais, reuniu no passado dia 28 com os representantes da CE, FMI e BCE (Troika), a quem teve oportunidade de apresentar as suas posições.

 

Em síntese, a CCP considera:

 

1 - Que é essencial inverter o ciclo recessivo e pôr a economia a crescer, e que a única forma de compatibilizar ajustamento orçamental com algum crescimento é flexibilizar o ritmo e as metas da correção do défice.

 

2 - Que se deve introduzir um período adicional para a obtenção do objetivo dos 3% do défice orçamental, alternativa (à implementação de novas medidas de austeridade que só contribuirão para o agravamento da economia) que permite manter a trajetória de ajustamento e relançar a economia.

 

3 - Que sendo a quebra do investimento registada em Portugal um dado muito preocupante (entre 2001 e o previsto para 2013 contraiu-se 40% em valores reais), e não sendo possível tornar a economia competitiva sem investimento, há que criar os instrumentos necessários para que o mesmo aconteça, quer a nível de programas comunitários (os “euro Project bonds” para áreas infraestruturantes, a agilização dos apoios do BEI às PME, o QREN …), quer ao nível do sistema financeiro nacional, quer ao nível fiscal. E devendo o investimento privado ser a prioridade, não deve ser completamente afastado o papel do investimento público (nomeadamente ao nível das políticas de I&D, educação e qualificação, cidades e requalificação ambiental).

 

4 - Que há que reduzir alguns custos de contexto (das energias às taxas municipais), uma vez que o tecido empresarial está asfixiado em custos que não param de aumentar, os quais mesmo quando não conduzam à falência das empresas são, seguramente, inibidores de novos investimentos.

 

5 - Que a par destas iniciativas deve-se igualmente pensar o binómio «Procura Externa / Procura Interna» e de um modo mais geral o próprio modelo de desenvolvimento económico. O país deve reforçar a internacionalização do seu tecido empresarial e aumentar a componente exportada daquilo que produz, alterando igualmente o perfil do que exporta, apostando mais na exportação de serviços (que têm menores consumos energéticos), de produtos com maior valor acrescentado, com menos componentes importadas, considerando que as exportações se fazem com produtos transacionáveis e, também, com a mobilidade das pessoas (não residentes).

 

6 - Que o crescimento da economia deve ter por base a procura externa, mas que não pode ignorar-se a procura interna. O investimento e o consumo das famílias têm que inverter a tendência fortemente negativa da sua evolução e começar a crescer. Investimento e perfil de consumo diferentes, para não agravar a balança com o exterior e o endividamento dos portugueses.

 

7 - Que a economia portuguesa carece de níveis de financiamento adequados para funcionar e principalmente para crescer. A CGD, enquanto empresa pública, deveria ter um papel bem mais ativo nas políticas de investimento, afirmando-se claramente como um banco de investimento orientado para as PME,

 

Em conclusão, a CCP considera que tem sido possível, apesar de tudo, manter alguma coesão social com o envolvimento de múltiplos atores, de que são exemplo quer o acordo de concertação assinado no início do ano, quer a resolução aprovada na Assembleia da República no passado dia 23 de Maio visando uma Agenda de Crescimento e de Criação de Emprego na União Europeia.

 

Mas que é indispensável ganhar tempo e acima de tudo reorientar as políticas para o crescimento sob pena de um inevitável agravamento quer da situação económica quer do desemprego, o que terá consequências num potencialmente acelerado crescimento das tensões sociais.